Wladimir Garotinho fala a jornal campista


Jornal– Como filho e herdeiro político, como você recebeu as condenações de seus pais por crime eleitoral, que gerou a cassação de Rosinha, e a de Garotinho, pela Justiça Federal , por formação de quadrilha?
Wladimir Garotinho – Em ambas as condenações, só tenho a lamentar, por serem muito mais condenações políticas do que jurídicas. No caso da Rosinha, uma entrevista foi considerada abuso de poder econômico. Que poder é esse, uma vez que ela não possuía nenhum cargo público? Caso semelhante vemos com a candidata a presidência Dilma Roussef do PT, que ainda ministra, concedeu varias entrevistas aos veículos de comunicação, e foram passiveis apenas de multa. Quanto ao processo do Garotinho, é de se estranhar que sempre próximo as eleições surjam denuncias negativas contra ele. O que teria motivado ao juiz tornar uma decisão monocrática e tornar publico um inquérito que corria em segredo de justiça?

Jornal– Em entrevista ao blog , o candidato a deputado federal Sérgio Diniz (PPS), falou sobre seu pai, em relação ao discurso de perseguição política para tentar justificar as condenações na Justiça: “todos nós o conhecemos bem, para darmos, sempre, risadas de descrença”. E você, é partidário do mesmo discurso de Garotinho? Por quê?
Wladimir – A história tanto de vida como a política de Garotinho, foram feitas de coragem, ousadia e luta. Garotinho construiu sua historia vitoriosa sem apadrinhamentos políticos, diferentemente de pessoas que o criticam. Ele não teve sogro, parente e nenhum outro tipo de padrinho que o projetasse na vida pública. Por seu jeito de ser, Garotinho desde o início, aqui em Campos, já era perseguido, pois contrariava os interesses e a forma de se fazer política. Quem não se lembra de tentarem tirar Garotinho da disputa a apenas dois dias da eleição de 1996? É o que acontece ate hoje, só que em proporções muito maiores.


Jornal– No seu blog, Garotinho levantou uma série de ilações contra o TRE, que o condenou eleitoralmente, bem como contra os procuradores que o acusaram e o juiz que o condenou por formação de quadrilha. Em que essas ilações se diferem das óbvias, de quando Rosinha, como governadora, nomeou ao TJ o irmão do então presidente do TRE, Marlan de Moraes Marinho, pouco tempo depois que este deu o voto de minerva para reverter a condenação dos seus pais pela Justiça Eleitoral de Campos, relativa à eleição de 2004?
Wladimir – No caso do TRE, as ilações levantadas por Garotinho devem-se ao fato de que a denúncia foi rejeitada em primeira instância. Por que o TRE resolveu dar seqüência ao processo? A primeira instância havia arquivado, por entender que Garotinho estava exercendo sua profissão de radialista e não era candidato em nenhum pleito. Quanto à condenação pelo juiz federal já respondi primeira na pergunta. Sobre a nomeação (do irmão de Marlan por Rosinha), sinceramente não conheço os fatos.


Jornal– Seu pai tenta fazer crer que o governador Sérgio Cabral influenciou ou manipulou o TRE e a Justiça Federal, por temer concorrer à reeleição contra Garotinho. Supondo, apenas em tese, que isso seja verdade, não teria sido então desinteligente insistir até o último momento na candidatura ao governo do estado para acabar condenado duas vezes na Justiça e candidato apenas a deputado federal, assim mesmo na base de liminar?
Wladimir – Como já disse, a história de Garotinho é marcada pela coragem. Não é uma tese, e sim um fato. Garotinho insistiu na candidatura ao governo, porque sabia que na disputa política venceria no voto. Mas lamentavelmente as coisas tomaram outro rumo.


Jornal– Tentando falar mais como observador do que como filho, você ainda tem esperança que Rosinha retorne à Prefeitura? Baseado em quê?
Wladimir – Estou convicto do retorno. Diante das decisões do TSE que retornaram diversos prefeitos, a exemplo do prefeito de Rio das Ostras, ainda com o agravante de ter um cargo publico. Creio que não usarão critérios diferentes.


Jornal– Em reunião na última segunda-feira, com representantes locais de seis partidos, o presidente do TRE, Namatela Jorge, que já vinha defendendo abertamente a realização da eleição suplementar de Campos ainda em 2010, projetou o pleito para 21 de novembro, como revelou a professora Graciete Santana . Acredita que a nova eleição possa ser marcada pelo TRE antes que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julgue o mérito do recurso de Rosinha, como fez no caso de Campista? À exceção de que seu grupo político antes era a favor da brevidade e hoje é contra, qual a diferença?
Wladimir – São casos escandalosamente diferentes. No caso de Campista ele foi condenado por capitação ilícita de sufrágio, ou seja, compra de votos. Rosinha esta sendo acusada apenas por ter concedido uma entrevista, para anunciar sua pré-candidatura. Não sei de onde surgiu essa data. O pronunciamento oficial do Presidente do TRE, diz que só marcara novo pleito quando houver decisão definitiva do TSE.


Jornal– Assim que o TSE negou por unanimidade o pedido para que Rosinha aguardasse no cargo o julgamento do mérito do seu recurso, você chegou a anunciar que uma reviravolta estaria prestes a ocorrer na política de Campos. A que se referia?
Wladimir – Fui mal interpretado. O que disse foi que Campos não merecia mais passar por intrigas, fofocas, confusões que só atrapalham o desenvolvimento da cidade. O clima de instabilidade prejudica o comercio e o crescimento constante do município.


Jornal– Caso as eleições se confirmem, você pode ser o candidato do PR? Possibilidades à parte, você quer?
Wladimir – Legalmente nada impede que eu seja candidato, porem não acredito na realização de eleições suplementares.


Jornal– Além de você, se fala também na possibilidade de mais uma candidatura de Geraldo Pudim. Há como algum de vocês, ou qualquer outro nome do PR, hoje tirar a vaga de Nelson Nahim?
Wladimir – Como já disse, não acredito em novas eleições. O nosso grupo trabalha com projeto político, as decisões só são tomadas com fatos concretos.


Jornal– Também em entrevista ao blog, Nahim disse: “Campos precisa de alguém que tenha maturidade política, Vladimir não tem”. Como encarou a classificação?
Wladimir – Esta colocação está dentro de um contexto. Entendo que, na entrevista, Nahim fala muito mais como tio do que como político, ate mesmo pela questão do zelo familiar.


Jornal– Qual sua avaliação da atuação do seu tio na Prefeitura? Arriscaria uma nota? Vê alguma melhora ou piora em relação ao governo Rosinha?
Wladimir – Nahim tem ido bem, dando prosseguimento aos programas de Rosinha. Quem dá nota, aprova ou desaprova, é o povo. É natural que ele tenha um estilo próprio, mas que ate o momento não alterou significativamente o modelo de governo.

Fmanha– Como analisa a reviravolta na Câmara, a partir da eleição da mesa diretora, com Nahim transformando em minoria os vereadores ligados à Rosinha, bem como em bancada governista todos aqueles que se opunham à sua mãe?
Wladimir – Cada votação na Câmara é um processo político. A eleição da mesa foi um momento, o que não quer dizer quer dizer que os vereadores da base tenham sido transformados em minoria. A base continua a mesma, prova disto foi a convocação de Edson Batista.


Jornal– O blog revelou que sua mãe comandou, na casa dela, a reunião que varou a madrugada com seus vereadores, mas não conseguiu, na manhã seguinte, eleger ninguém à mesa diretora da Câmara. Você também participou? O que, afinal, ficou faltando?
Wladimir – Para esclarecer, não foi uma reunião projetada e nem comandada por ela. O vereador Magal ligou e pediu que ela fosse a uma reunião com os vereadores da base. Como resposta, ela disse que se precisassem da ajuda dela para alguma questão, ela estaria em casa e os receberia sem problemas. Eu estive presente e, assim como ela, mais escutamos do que falamos. O resultado coube às articulações deles mesmos.


Jornal– Em entrevista ao Folha no Ar , Albertinho admitiu que a bancada de oposição a Rosinha foi mais organizada do que a de vocês. Concorda com a opinião do vereador?
Wladimir – Não acompanho o dia a dia da câmara, se essa é a opinião do vereador Albertinho deve ser respeitada.


Jornal– Se, no lugar de figurativo, o voto de Nahim na eleição à vice-presidência da Câmara fosse decisivo, acredita que ele o manteria favorável a Magal?
Wladimir – Por que não? Pelo que sei, ele tinha esse compromisso com o vereador Magal, creio que não faria diferente e manteria sua posição.


Jornal– Após tomar posse do mandato, Edson descartou assumir a liderança do governo, em resposta à possibilidade aventada pelo blog. Ao mesmo tempo, ele reafirmou a condição de líder de Magal, mesmo sabendo que Nahim não quer mantê-lo, devido às críticas do vereador do PMDB à condução da eleição na Câmara pelo prefeito interino. Vocês vão tentar forçar Nahim a aceitar Magal, ou têm um plano B? Poderia ser Albertinho, por exemplo?
Wladimir – A decisão cabe a Nahim. Definir o líder do governo é um ato discricionário do prefeito.


Jornal– Embora tenha confirmado a reunião com os vereadores de Rosinha, após a sessão da última quarta, Nahim revelou ao blog que não deu nenhuma garantia que a liderança do seu governo seria mantida entre eles. Cogitado nos bastidores, Dante foi descartado após a manobra ter sido exposta, pelo blog. Vocês aceitariam que o líder de Nahim saísse da oposição a Rosinha?
Wladimir – Nahim é um político experiente. Como já disse a liderança é um ato do prefeito. Acredito que ele sabe diferenciar os companheiros dos aliados, e o que realmente é necessário para a governabilidade.


Jornal– Serenidade e fácil trato com as pessoas são características positivas atribuídas a você, até por quem não gosta do seu pai. Considerada com um temperamento mais próximo ao dele, Clarissa se elegeu vereadora no Rio e agora tenta uma vaga à Alerj. Pleito suplementar de prefeito à parte, você pensa em aproveitar suas características pessoais em algum mandato eletivo?
Wladimir – Essa decisão não é fácil de ser tomada. Aprendi a gostar da política pelo bem que com ela podemos realizar na vida das pessoas; porém, existe o outro lado. Como filho de pessoas publicas, sei o que a família passa pelos momentos ausentes e principalmente pelas falsas acusações, que quando se tem uma família unida, como a minha sempre foi, você consegue sempre superar. Hoje sou casado e tenho uma filha. Essa não é mais uma decisão somente minha.


Jornal– Em meio a tantas turbulências, que avaliação faz da sua experiência à frente do PR?
Wladimir – Nas adversidades é que crescemos. Quando assumi, começamos um partido do zero, dirigir o PR, que é hoje o maior partido da cidade, tem sido uma experiência proveitosa. Ali convivo diariamente com a população, lideranças políticas e vereadores. Hoje o trabalho está voltado para a consolidação do partido. Para isso precisamos fazer uma grande votação elegendo nossos candidatos a deputado estadual e federal. Administrar um partido como o PR não é fácil, requer maturidade.



Blog:

Vladimir a cada dia está mais maduro e a sua candidatura a Prefeito de Campos em caso de eleições suplementares pode ser inevitável. Pois é um nome que se associa facilmente ao de Rosinha. Mais todos acreditamos no retorno de Rosinha, se Deus quizer. 

Durante muito tempo alguns politícos assaltaram os cofres da prefeitura e nada foi feito e uma entrevista cassa Rosinha? 

Vamos aguardar o desenrolar dessa história...

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