Lindberg declarou que depende apenas de Jorge Picciani “se a disputa será pacífica ou com atritos”

Paulo Renato Pinto Porto

A seis meses do pleito de outubro deste ano, as eleições no Rio começam a esquentar numa arena que promete ser pouco civilizada na disputa para o Senado, onde o jogo duro das questões internas resvala para o campo das intrigas, das brigas de bastidores e desentendimentos comuns no páreo eleitoral. Os últimos e próximos rounds envolvem a disputa de duas vagas no Senado, onde o deputado Jorge Picciani (PMDB), o senador Marcelo Crivella (PRB) e o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT), despontam como candidatos que querem o apoio do presidente Lula. Entretanto, somente dois deles deverão receber o apoio direto do Planalto.

O estopim que acendeu a fogueira entre as candidaturas começou com as declarações de Lindberg de que Jorge Picciani, presidente da Assembléia Legislativa, teria feito campanha para Benedita da Silva nas prévias do PT que indicaram o ex-prefeito de Nova Iguaçu como candidato do partido ao Senado. O clima piorou na última visita de Lula ao Rio, durante o lançamento do PAC 2, quando Lindberg revelou aos repórteres que o presidente da República lhe teria dito que vai apoiá-lo e a Crivella na campanha de ambos ao Senado.

No início da semana, os jornais publicaram denúncias de que Lindberg Farias está sendo investigado pelo Ministério Público por suspeita de comandar um esquema que cobrava e recebia propinas de empresas que teriam firmado contratos de fachada com a Prefeitura de Nova Iguaçu. As investigações do Ministério Público Estadual (MPE) sobre a suspeita de desvio de dinheiro público estão centradas nas quebras de sigilos bancário e fiscal de Lindberg, de dez pessoas, além de 13 empresas.

Na quarta-feira, chorando de emoção, o petista entregou o cargo de prefeito à vice-prefeita Sheila Gama (PDT) e atribuiu a Picciani uma campanha para desestabilizar a sua candidatura. Em nota oficial, Lindberg disse que Picciani era o responsável por ‘requentar’ denúncias velhas. A dupla faz parte da chapa do governador Sérgio Cabral para as próximas eleições.

Diante da sucessão de torpedos, o clima entre os dois candidatos de Cabral ao Senado é o pior possível. No mesmo dia em que deixou a prefeitura iguaçuana, Lindberg ainda “jogou mais lenha na fogueira” dizendo que está nas mãos de Picciani e do PMDB a decisão de haver uma campanha “pacífica ou com atritos” e ainda acrescentou: ”Podemos ter uma dobradinha ou não para o Senado. Não tem nada definido. Vai depender do PMDB e dele (Picciani) se isso tudo será pacífico ou com atritos. Se não houver acordo, cada um segue o seu caminho. Essa aliança ainda está aberta”.

No próximo domingo, vai ao ar pela CNT uma entrevista de Picciani no programa Jogo do Poder, às 23 horas, onde se espera novos ataques do presidente da Alerj ao seu adversário. O ex-governador Anthony Garotinho relatou ontem em seu blog ter recebido um telefonema de Lindberg, que lhe solicitou os telefones do jornalista Ricardo Bruno, que apresenta o programa na CNT. Bruno foi secretário de Comunicação no governo Garotinho. “O Lindberg estava furioso e queria saber o conteúdo da entrevista gravada anteontem, já que os jornais falam que vem chumbo grosso. Como Ricardo Bruno é meu amigo, passei os telefones. Mas ouvi de Lindberg a seguinte expressão: “Em 1994, Picciani tinha um Corcel velho. Era assim que fazia campanha nos subúrbios do Rio. Hoje é um grande fazendeiro, um dos maiores criadores de gado do Brasil. Se alguém tem que se explicar como enriqueceu não sou eu””, revelou. Enquanto Lindberg esperneia, Picciani não quer comentar o assunto. E Crivella a tudo assiste de camarote.


Crivella assiste a tudo de camarote