Toda a vez que acontece uma tragédia se fala em remover favelas e retirar moradores das áreas de risco. O governador Sérgio Cabral lava as mãos dizendo que esse é um problema das municipalidades. Sim, de fato é. Mas um governador pode fazer a sua parte e contribuir muito para minimizar esse problema.
Foi isso que eu e Rosinha fizemos. Nos nossos dois governos, só pra ficar na área de habitação, construímos no total 32 mil casas. É preciso que as pessoas tenham consciência que só é possível remover a população que mora nas encostas construindo casas. É muito bonito o discurso de tirar as pessoas das áreas de risco. Claro, que isso tem que ser feito emergencialmente, mas são necessárias alternativas para essas famílias. Ou vão tirá-las de casa e abandoná-las na primeira esquina?
Em Campos, Rosinha está construindo 5.100 casas, as obras estão em andamento e outras 4.900 vão ser construídas, só não começaram porque ainda não foi concluído o processo de desapropriação do terreno onde serão levantadas.
Agora vejam vocês: Rosinha com um ano e 3 meses de governo já está com 5.100 casas em construção. Cabral em 3 anos e 3 meses, as únicas casas que construiu foi através do PAC, com recursos federais, e ainda por cima, a qualidade dos empreendimentos é tão ruim, que não foram feitas obras de drenagem e na chuva ficou tudo alagado e olha que o número de casas não chega nem a 2.000. O seu governo com recursos próprios até hoje não fez nada na habitação.
O que não adianta é Cabral ficar chamando de irresponsáveis, os moradores que vivem em áreas de risco, simplesmente porque estão lá não é por gostarem e sim por necessidade. A relatora da ONU (Nações Unidas) para o Direito à Moradia, Raquel Rolnik criticou Cabral dizendo o óbvio: “Ninguém mora numa área de risco porque acha bacana, lindo, agradável. Me parece um contra-senso, como se morar num lugar de risco fosse uma opção. Não é uma opção. É uma falta de opção”.
Então só existe um caminho que é construir moradias. Só assim pode-se pensar em resolver esse grave problema. Chamar de irresponsável quem mora em área de risco não resolve nada. É apenas uma irresponsabilidade de quem se omite e não faz a sua parte.
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