Pms de unidades pacíficadoras praticam crimes no lugar dos bandidos


Comandante da PM chama de “mal estar” arma apontada pra cabeça

Reprodução do jornal EXTRA, edição de domingo
Reprodução do jornal EXTRA, edição de domingo

Esse episódio dos soldados da UPP do Pavão – Pavãozinho ilustra bem o descalabro que tomou conta da administração do Estado. São vários os erros, que colocam em cheque, não as UPPs, mas muito mais grave que isso, o comando do governador Sérgio Cabral. Está tudo errado.

Não vou ser hipócrita de atacar as UPPs, pelos dois fatos ocorridos, mas vou apontar aqui questões, que a imprensa, como sempre, finge não ver.

1º O governador Sérgio Cabral quer que a PM forme mais e mais soldados para as UPPs. Como é a formação, isso ele não quer saber. Só quer pressa. O resultado é que muita gente não sabe, mas diminuiu o tempo de formação dos novos policiais. O importante é colocá-los nas ruas rapidamente, ainda que para isso, sua preparação não seja a mais adequada.

2º Três soldados, em menos de uma semana, presos praticando crimes pode não comprometer o programa das UPPs, mas atinge em cheio a sua credibilidade. Mais do que isso, faz com que a população das comunidades com UPP tenham ainda mais desconfiança. É muito grave.

3º O comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio numa postura cínica, afirmou que os policiais armados, que invadiram uma casa, ameaçaram matar um cidadão e lhe apontaram armas para a cabeça “causaram um mal estar”. Mal estar, comandante Mário Sérgio? Queria ver se fosse um familiar seu que tivesse a casa invadida e uma arma apontada para a cabeça, se o senhor chamaria isso de mal estar? É muita cara de pau!

4º O governador Sérgio Cabral mais uma vez se omite e não fala nada sobre o assunto. Quando o coordenador do AfroReggae foi morto em um assalto, no ano passado, vocês devem se lembrar que houve aquela polêmica, sobre os dois policiais que passaram e apanharam um tênis e um casaco da vítima. Na época, o porta-voz da PM falou em “desvio de conduta” e Cabral se revoltou, porque era um conhecido seu e chamou os policiais de “bandidos” e mandou que fossem expulsos. Já nesse caso, não fala nada sobre a declaração do comandante da PM. Com sua omissão referenda a declaração irresponsável do comandante da PM, que chama de “mal estar” o crime que aconteceu no fim-de-semana.

É assim que as coisas funcionam no Estado. Ou melhor, não funcionam. Não há comando. Não há respeito à hierarquia. Cada um faz o que quer e ninguém se entende. A verdade é uma só: o governo do Rio está virando a “casa da mãe joana”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário