Município pretende, inicialmente, fomentar a produção e em seguida instalar abatedouro de cortes finos
Da Redação com Assessoria
A criação de ovinos e caprinos no Noroeste Fluminense receberá uma injeção de tecnologia que promete mudar a vida de pequenos e médios produtores – e inserir a região, de vez, neste competitivo e lucrativo mercado. O diretor tecnológico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), professor Rex Nazaré esteve em Santo Antônio de Pádua para conhecer o projeto “Desenvolvimento da Ovinocultura no Noroeste Fluminense”, em uma reunião que aconteceu no início do mês no Teatro Municipal Geraldo Tavares André.
O projeto é de autoria do engenheiro e produtor rural da localidade de Monte Alegre Umberto Ramos de Andrade. Ele apresentou, com detalhes, a metodologia e as metas a serem alcançadas com o objetivo de organizar toda a cadeia produtiva de ovinos e caprinos na região – incluindo a industrialização dos produtos.
“Queremos implantar, de forma eficiente, a criação, industrialização e comercialização desses produtos. Primeiro, fomentando a produção para resgatar a confiança dos produtores, depois estabelecendo a base para implantar um abatedouro de cortes finos”, afirmou Umberto.
Para ele, o segredo é o produtor ter acesso à tecnologia e assistência técnica que o ajudem a utilizar uma área relativamente pequena de forma eficiente. “Montaremos a rede inicial com 10 produtores modelo e 300 fêmeas, para começar. Mas a meta é chegar a 10 mil fêmeas, para estabilizarmos a produção e implantarmos o abatedouro”.
Faperj vai dar apoio tecnológico
Diretor tecnológico da Faperj, professor Rex Nazaré esteve em Pádua
O projeto foi aprovado pela Faperj, através do programa de Apoio ao Desenvolvimento de Modelos de Inovação Tecnológica Social, que tem como público alvo pequenos produtores rurais, entre outros. A Fundação concederá R$ 45 mil de subvenção para o desenvolvimento do projeto. A subvenção não é empréstimo; os produtores não terão de restituir o dinheiro. Mas a Faperj acompanhará a execução do projeto e cobrará os resultados. “O Governo do Estado, através da Secretaria de Ciência e Tecnologia e da Faperj, vem desenvolvendo um intenso programa de investimento no interior. Hoje verifiquei novas áreas potenciais que são fundamentais para o progresso da região”, disse o diretor Rex Nazaré.
Segundo o secretário de Agricultura de Santo Antônio de Pádua, Wagner Oliveira Souza, a prefeitura disponibilizará todos os meios necessários o projeto.
“Esta reunião foi importantíssima para nós. A Faperj é um órgão sério, irá trazer tecnologia para o Noroeste aproveitando as nossas potencialidades”.
Condições climáticas da região favorecem a criação
Segundo o engenheiro Umberto Ramos a tecnologia será essencial para a qualidade dos produtos
Segundo dados da Embrapa, um pequeno produtor com 300 fêmeas obtém, em média, R$1,5 mil de lucro, por mês, em Fortaleza, no Ceará. E lá é preciso reforçar a alimentação dos animais, devido às condições de clima e solo, o que não será preciso fazer no Noroeste Fluminense.
O preço da carne de ovinos é caro que o da carne bovina e o mercado interno é promissor. Só o Estado do Rio importa 80% da carne de ovinos de países como a Argentina e o Uruguai.
Mas a competitividade é alta. O produtor rural Umberto Ramos de Andrade afirma que a tecnologia será essencial para a qualidade dos produtos. “Os criadores precisam ter acesso às técnicas de manejo adequado. A criação tem de ser assistida e orientada por técnicos e veterinários para a melhoria dos índices zootécnicos e a garantia da sanidade dos produtos. Precisaremos implantar um moderno abatedouro, e depois articularmos a comercialização”.
Uma estatística mostra que o esforço compensa: em um hectare cria-se, em três anos, um bezerro ou 36 carneiros.
Projeto seguirá o modelo do Programa Balde Cheio
O projeto do desenvolvimento da ovinocultura no Noroeste seguirá o modelo do Programa Balde Cheio, que otimizou a produção de leite de vaca e mudou a vida de pequenos produtores da região. O veterinário Luis Fernando De Cnop apresentou os resultados obtidos em propriedades de Pádua e Cambuci, inseridas no programa em 2004. Após a reunião, os participantes visitaram a propriedade de Antonio Carlos Bastos Mota, em Funil e conferiram os bons resultados.
Carlos relatou que trabalhava como pedreiro, pois não conseguia sobreviver de sua produção. Hoje, dedica-se exclusivamente à produção de leite, e sua renda aumentou consideravelmente. O projeto é desenvolvido pela Embrapa, Faperj, Senar, SEBRAE, com apoio das prefeituras, e consiste em disponibilizar assistência técnica para que o produtor seja orientado corretamente. Não há empréstimo de dinheiro, ou outro tipo de financiamento.
No caso de Antônio Carlos, o resultado veio com o aproveitamento da área. Foram reservadas pequenas áreas para o plantio do pasto, com adubação e irrigação para garantir a boa qualidade da alimentação oferecida ao gado, separadas com piquetes. Logo ele percebeu que precisava investir também em bons animais, e comprou vacas melhores. A produção de leite deu um salto. A produção hoje é motivo de orgulho e ele comemora a aquisição de uma ordenhadeira mecânica.
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