A Polícia Federal realizou nesta quinta-feira (25/03) a operação 25 de Março. Pelo menos 200 homens da Polícia Federal e da Receita Federal com o apoio do Ministério Público Federal cumprem o mandado de busca e apreensão expedido pela 2ª Vara Federal de Campos.
Toda a área do “camelódromo” foi isolada, apenas os agentes que trabalharam na operação tiveram acesso ao local. As ruas que dão acesso a área ficaram fechadas. A mega ação da polícia teve início às 6h da manhã, o objetivo é combater a venda ilegal de produtos estrangeiros vendidos ilegalmente, produtos pirateados e também produtos sem nota fiscal. Todas as bancas tiveram seus produtos recolhidos. O valor total das 60 toneladas de produtos apreendidos pode chegar a mais de dois milhões de Reais.
O Corpo de Bombeiros foi chamado para auxiliar a operação, atuando na abertura das bancas que estavam com cadeados. Após o recolhimento das mercadorias, os agentes lacraram as bancas. Quinze caminhões realizaram o transporte da mercadoria apreendida, que será levada para o depósito da Receita Federal, em Benfica, no Rio de Janeiro.
A orientação do delegado titular da Polícia Federal em Campos, Paulo Cassiano é que os camelôs apresentem as notas dos produtos. “Aqueles que apresentarem as notas ficais dos produtos vão tê-los de volta”, afirmou o delegado, não descartando outra ação da polícia em outro ponto da cidade onde também há venda de produtos do mesmo gênero.
Segundo o delegado, a operação acontece após um ano de investigação. “O procedimento à partir de agora é de responsabilidade da Receita Federal, que apurará os fatos, do ponto de vista administrativo. Havendo indícios de crimes à partir da apreensão dessas mercadorias que serão encaminhadas ao depósito da própria Receita Federal procederá a representação fiscal para fins penais”, esclarece Paulo Cassiano. O crime de contrabando tem pena de 01 a 04 anos de reclusão.
Ainda segundo o delegado, a Companhia de Desenvolvimento de Campos (CODENCA) será notificada, devendo fiscalizar o tipo de comércio feito no Shopping Popular. Segundo a Polícia Federal, na própria relação enviada pela companhia à PF, existia a informação de que algumas bancas comercializavam produtos ilícitos.
A investigação da Polícia Federal durou um ano, inclusive com agentes infiltrados, acompanhando a movimentação diária do Camelódromo.
Desolados
Enquanto a Polícia Federal recolhia identificava a mercadoria, do outro lado da fita usada para isolar a área, alguns camelôs choram, outros protestam, e muitos não conseguem sequer expressar reação ao ver suas mercadorias sendo apreendidas.
Daniel Rangel é camelô há 20 anos e está desesperado: “Eu trabalho aqui desde que abriu o camelódromo, minha esposa trabalha comigo, nós sustentamos a casa e agora, como vai ser, com a nossa banca lacrada?” Ele também lamenta os prejuízos, que segundo ele, são grandes. “Eu vendia mercadorias variadas e também fazia conserto de relógios. Tem ali relógios caros, que os clientes deixaram pra conserto e agora eu vou ter que pagar, não sei como vai ser daqui pra frente”, lamenta Daniel.
Outro camelô que está revoltado é Marinaldo Almeida, ele firma ter notas fiscais de grande parte de sua mercadoria. “Eu tenho nota da maioria, mas as notas não estão aqui comigo. Eu tenho funcionários, minha família trabalha aqui comigo e agora eu não sei como vai ser”, diz o camelô.
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