Da redação, com Agência Brasil

Depois de afirmar que pretendia vetar a emenda, aprovada na semana passada pela Câmara dos Deputados, que prevê a redistribuição dos royalties do petróleo, para beneficiar, também, estados e municípios não produtores, caso ela seja mantida no Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou, ontem, para a intenção de “roer a corda”.

Um dia após a manifestação da Candelária, no Rio de Janeiro, com mais de 150 mil pessoas de todo o Estado pregando em defesa de “justiça para quem produz” e “contra a covardia, em defesa do Rio”, Lula disse que o governo fez sua parte e que agora “a bola está com o Congresso”. Ele foi enfático: “O Congresso que resolva o problema, eu já cumpri com a minha parte”.

Alerta aos líderes - “O presidente da República já apresentou o projeto, está nas mãos do Congresso Nacional. afirmou o presidente, em entrevista à imprensa, antes de deixar a Jordânia. Lula disse que alertou os líderes no Congresso para que o assunto não fosse votado em 2010, por se tratar de um ano eleitoral.

“Minha primeira vontade era de não votar o royalty este ano. Isso foi dito para todos os líderes, porque eu sabia que era um ano político e que, em ano de eleição, todo mundo quer fazer gracinha”. Lula reforçou: “Eu sabia disso e alertei todo mundo: Vamos discutir o restante e deixar o royalty para o ano que vem, porque isso vai ser lá pra 2016”.

Lula contradiz o líder do governo na Câmara, Cândido Vacarezza, vários outros parlamentares aliados também do Senado e ministros, que vêm dando entrevistas, há duas semanas, garantindo o veto do presidente. Durante a manifestação de anteontem no Rio, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, posou de porta-voz, afirmando que o presidente lhe garantiu que vetará a chamada emenda Ibsen, caso ela seja aprovada no Congresso.

“Vou sentar e debruçar em cima daquilo que foi aprovado”

Ontem, perguntado textualmente se vetaria a emenda, Lula não deixou clara sua posição. “Se o resultado do Congresso for muito diferente daquilo que o governo apresentou, vou sentar e debruçar em cima daquilo que foi aprovado. Mas, até agora, acho que grande parte, à exceção do royalty, tem sido feita de comum acordo.”

Enquanto Lula deixava dúvida, ontem, quanto à palavra empenhada com o Estado do Rio, Cândido Vaccarezza voltava a dizer que a emenda Ibsen Pinheiro é ilegal e que o assunto deve ser corrigido no Senado e, em último caso, vetada pelo presidente.

A emenda dos deputados Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) e Humberto Souto (PPS-MG), aprovada pela Câmara na última quarta-feira (10), modificou o texto do marco regulatório do petróleo, que redistribui os royalties. Pela emenda, os recursos serão divididos entre todos os estados e municípios do país, e não apenas entre os produtores.

“Se Lula não cumprir o que disse, terei uma grande decepção”

Na opinião do senador Magno Malta (PR-ES), as declarações de Lula são decepcionantes. “Recebo com tristeza e envergonhado as declarações, porque, quando a discussão começou, o presidente se comprometeu com os governadores Paulo Hartung (Espírito Santo) e Sérgio Cabral (Rio de Janeiro) que os estados produtores não seriam prejudicados. Não tenho ele como um mentiroso, mas, se o presidente não cumprir o que disse, terei uma grande decepção”, afirmou.

Arthur Virgílio Neto (AM), líder do PSDB no Senado, também fez críticas às declarações de Lula. Para o senador, ao jogar o problema para o Congresso, Lula adota uma postura “típica de evitar bola dividida”. Virgílio defende que os contratos já realizados para exploração de petróleo sejam preservados e que, para os futuros contratos, seja negociada uma forma “que não signifique o esmagamento do Rio de Janeiro.”

Carneiro: “Se Lula cruzar os braços e permitir que o Rio seja prejudicado, será uma apunhalada”