CAMINHOS CIENTÍFICOS Projeto é lançado no Paraíba em São João da Barra

Crianças participam do projeto


O mundo é formado por 96% de água salgada, 3% de água congelada e 1% de água potável. Se não cuidarmos dos recursos hídricos responsáveis pela subsistência do ser humano na Terra, com o aumento da população e o impacto que isso causa ao ambiente, teremos dificuldades na sobrevivência da espécie humana. O assunto é bem sério, assim como estava o semblante dos alunos representantes do 6º ao 9º ano da Escola Municipal Domingos Fernandes da Costa, ao ouvirem a explicação. Mas logo depois, a preocupação deu lugar ao sorriso da esperança de se preservar os rios e lagoas com pequenas ações que fazem a diferença.

A bordo de uma escuna, tendo como cenário um céu azul, observando o vôo de garças e outras aves da fauna local, espécies de árvores nativas sobre as águas douradas do Rio Paraíba do Sul, alunos da escola puderam aprender na prática as responsabilidades com o meio ambiente. Esse foi o principal resultado do primeiro passeio do projeto “Caminhos Científicos do Delta do Rio Paraíba do Sul”, lançado nesta segunda-feira, dia 22, em São João da Barra, em comemoração ao Dia Mundial das Águas e o Dia Municipal do Rio Paraíba do Sul.

O projeto é realizado pela equipe do Núcleo Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMASP), em parceria com a Secretaria Municipal de Educação e Cultura e visa destacar a importância do rio, suas matas ciliares, a formação geológica na Planície Goytacá, suas ilhas fluviais, fauna terrestre e aquática. Problemas relacionados à poluição, ocupações, a racionalização das águas também foram registradas, assim como a presença de naturalistas e cientistas no município em diversos momentos, como o príncipe Maximiliano de Wied Newvied, Saint-Hilaire e o imperador do Brasil, Dom Pedro II.

O secretário Municipal de Meio Ambiente, Marcos Sá, participou do projeto e comemorou o lançamento. “Agora a tendência é ir aprimorando o projeto cada vez mais. O rio fornece água potável para todas as cidades por onde ele passa e as populações estão crescendo, ao mesmo tempo em que o Paraíba está cada vez mais assoreado, com muita areia. É preciso frisarmos sempre a importância desse 1% de água potável. Para valorizar a natureza de verdade, é preciso senti-la de perto. E é isso que buscamos mostrar às gerações futuras com esse projeto”, explicou Marcos Sá, que participou do projeto com o subsecretário Alex Sandro Mateus Firme, equipe de apoio da Secretaria de Meio Ambiente, Izabel Gregório, responsável pelo Espaço da Ciência Maria de Lourdes Coelho da Anunciação, o proprietário Rural, Getúlio Alvarenga e a equipe de Defesa Civil Municipal, que participou com apoio e guiamento adequado do barco pelo rio.

Lições fora da sala de aula – Fazer ciência pode até parecer difícil, mas não é não. André Pinto, um dos coordenadores do projeto, enfatizou dessa forma a questão e chamou a atenção dos alunos que participaram do passeio. De forma descontraída, ofereceu, em poucos minutos, ricas informações que geralmente seriam repassadas em muito mais tempo dentro das quatro paredes da sala de aula.

— Os índios Goytacazes, os primeiros habitantes dessa terra, exímios corredores, caçadores, nadadores, não bebiam a água do Rio Paraíba. Para eles, a água era sagrada e eles não podiam tocar em nada sagrado. Eles bebiam água de cacimba. Eles já tinham, na verdade, essa idéia preservacionista do rio. Quando os europeus chegaram ao Brasil, em 1500, começou o extermínio dos índios —, ressaltou André.

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